Hungria - Um curso em Szeged
Oioi,
Hoje venho com um post um pouco diferente. Não será propriamente um roteiro nem falarei sobre coisas turísticas para fazer, mas sim da minha experiência num curso sobre AI & Humanities em Szeged, uma cidade estudantil na Hungria. Ok, na verdade, sobre participar em eventos/situações que nos fazem sair da nossa bolha.
Ora bem, há uns anos atrás tinha alguma vergonha de falar inglês em público porque sentia que não falava assim tão bem. Entretanto, fui fazer Erasmus e ganhei um pouco mais de confiança, apesar de o meu Inglês continuar a não ser perfeito. Acho que Erasmus foi assim a primeira vez que me vi sozinha num outro país a conhecer pessoas dos mais variados sítios. No entanto, a verdade é que dos meus três amigos mais próximos de Erasmus, dois são portugueses e uma é alemã. Não há problema nenhum com isso, adoro-os aos três. O que quero dizer com isto é, sim, conheci pessoas de outros sítios, mas dois dos 3 com quem acabei por realmente ter uma amizade, eram do mesmo país do que eu. Entretanto passei 3 meses no Luxemburgo, mas isso foi toda uma experiência paralela na minha vida (Luxemburgo - A minha casa por três meses). O ano passado fui convidada para participar num workshop internacional e lá fui eu com todo gosto. Foi mais uma oportunidade não só para aprender algumas coisas e debater assuntos que faziam parte do programa, mas também para conhecer pessoas de outros países. No entanto, foi ainda uma situação em que foram Professores meus e mais um rapaz Português, ou seja, acaba sempre por haver aquele conforto em determinadas situações e, se calhar, o envolvimento com os restantes não é tanto. Atenção que com estas coisas não estou a dizer que estas experiências não foram boas, cada uma teve os seus pontos positivos. É mais sobre a evolução do meu à vontade para conhecer e me conectar mais com pessoas com backgrounds e percursos completamente diferentes do meu.
Contudo, posso agora dizer que este curso em que participei foi o evento em que mais me conectei com as pessoas, mais conversei com elas, mais aprendi e ouvi sobre percursos académicos, profissionais e de vida. E que óptima experiência que foi! Este curso juntou pessoas desde o nível de licenciatura até ao nível de doutoramento e com um range de idades muito alargado. Por abordar tanto a parte de humanidades como a parte mais tecnológica juntou pessoas com diversos backgrounds e deu para termos discussões sobre vários temas relacionados com AI. Admito que muitas vezes fiquei confusa e perdida porque as questões acabavam por ser muito filosóficas e eu sou uma pessoa da Matemática. Mas tal como um rapaz disse, isto sim é que devia ser a Universidade. Momentos para reflexão e discussões em grupo, cativar a nossa atenção para novos temas. O objetivo não é ter a nota mais alta, mas sim ter uma melhor aprendizagem. Porque nos dias de hoje o que significa ter a nota mais elevada da turma quando o teste pode ter sido todo resolvido pela inteligência artificial? Para além de todas as conversas e seminários que fomos tendo mais relacionados com o tema do curso, as conversas de corredor (e não só, jantar, almoço, passeios pela cidade,..) também enriquecem muito. Sinto que pelo facto do grupo que se juntou ser tão diferente, foi óptimo para conversar sobre as diferentes experências de vida que cada um foi tendo. Uns que sempre estudaram no mesmo país, uns que mudaram de continente para estudar, uns que quiseram regressar à academia após não sei quantos anos a trabalhar para a industria, uns que são mais próximos da família outros nem tanto, uns já com ideias fixas do que querem fazer no futuro, outros ainda na descoberta, uns já com filhos, uns com determinadas restrições alimentares quer seja por saúde quer seja por religião, uns mais novos, uns mais velhos,... E as percepções erradas que temos de cada país? Não sei quanto a vocês mas eu acho esta experiência de conhecer pessoas fora da nossa bolha uma maravilha. E, para ser sincera, até hoje, nestas situações, nunca me sentia verdadeiramente eu enquanto falava inglês, contudo, acho que desta vez consegui ser mais eu.
Se há coisa que se calhar mudaria na minha vida até hoje seria o facto de no passado não ter investido tanto em experiências como esta. No entanto, nunca é tarde de mais! Se tiverem oportunidade vão! Claro que pode ser desconfortável, principalmente nas primeiras interações, mas depois tudo acaba por fluir, afinal de contas chegamos lá todos sem conhecer ninguém. Para ser sincera, não vejo uma única desvantagem em participar neste tipo de cursos. Este especificamente, foi a através da EUGLOH e foi 100% financiado. A questão que agora fica no ar é, será que voltarei a estar com alguma destas pessoas? Espero que sim, mas só o futuro o dirá.

Um beijo,
Káká