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As viagens da Káká

"It's a big world out there, it would be a shame not to experience it." - J. D. Andrews

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01 de Dezembro, 2025

Pela América do Sul - Salkantay Trek II

Oooooooi,

Ora bem, vir com amigos médicos é uma maravilhas, não que eu tenha ficado doente (por enquanto) mas um dos rapazes está. O Manel saca da sua farmácia completa, troca umas palavras com a Madalena e do nada a Madalena já está a dar conselhos e medicamentos ao pobre rapaz doente.

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Hoje, dia dois do Salkantay trek, foi dia de levantar às 4h15 da manhã. Que loucura. Começou logo tudo errado. Dormi super mal, não nasci para dormir em sacos de cama pois durmo de barriga para baixo e com a perna levantada e o saco-cama não o permite, não arranjava posição para dormir, acordava e meio que me doía a garganta, acordei a meio da noite (aka 22h30,deitámo-nos por volta das 20h) com imensa vontade de fazer xixi. Temos andado a beber muita água e a tomar comprimidos para a altitude que são diuréticos. Problema dos problemas. Ontem nós os 4 e duas raparigas finlandesas muito divertidas armámo-nos em espertinhos e decidimos que queríamos ir dormir nos star domes em vez de dormir nas casinhas onde todos iam dormir. Conclusão, tínhamos que fazer um trekking em que andávamos 1 minuto e parávamos 3 para descansar e, maior problema ainda, ir à casa de banho na escuridão da noite era uma tarefa para pessoas muito corajosas. Casa de banho essa que claramente era bem podreca. Conclusão, lá acordei com vontade de fazer xixi, vi que o Manel estava meio acordado e com a mesma vontade também. Saímos do dome, cada um foi para uma das laterais e o resto da história já imaginam. Hoje de manhã apercebemo-nos que tanto a Rita como a Madalena e as outras duas meninas, a dada altura da noite fizeram exatamente o mesmo.

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Vá acordei possuída com a minha fraca noite e porque não mais uma aventura. Já tinha tudo preparado, desci para a casa de banho, ainda estava escuro mas desci já com tudo. Ou melhor achava eu que tinha tudo o que precisava. Faço o que tenho a fazer e ups… só tinha um restinho de papel. Achei que o Manel estaria quase a chegar, esperei, fiz as minhas tranças, ouço barulho de alguém a andar e chamo Manel, Manel e nada… abro ligeiramente a porta do wc (que mal fechava) e vejo um senhor que claramente não era o Manel. Bem, espero mais um pouco até que decido que tenho de voltar a subir para o dome e trazer mais papel comigo.

Continuando, problema 1 do dia resolvido, todos nos tentámos acabar de nos arranjar nas condições bem precárias. E descemos para o pequeno almoço. Atrasados claro.

Após o pequeno almoço foi tempo de nos separarmos em dois grupos. Os valentões que subiram tudo a pé e os divertidos que optaram por ir de cavalo a contemplar a paisagem. O Manel foi no primeiro grupo e foi muito elogiado pela sua capacidade física. Nós as três fomos de cavalo e não é que o meu cavalo era uma lentidão. Sempre sempre em último e super cansado. To be honest fiquei com pena mas, sinceramente, ir a pé teria sido impensável para a minha pessoa. As vistas valeram muito a pena.

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No topo os dois grupos encontraram-se e apercebi-me que tinha ido muito mal preparada em termos de roupa para aquele dia. No primeiro dia faleci de calor, no segundo dia passei frio. Enfim… continuámos o nosso percurso numa caminhada de 2 horas até ao sítio do almoço.

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Lá íamos nós novamente no nosso vagar, a ficar para trás. É assim um dos rapazes desenvolveu uma teoria, este grupo que ficava sempre para trás era porque quando um falava todos paravam para ouvir essa pessoa. E acreditem falámos e cantámos várias vezes. Dia frio, mas nada de chuva até que… DILÚVIO. Começo a andar cada vez mais rápido, até dou uma corridinha e chego ao sítio do almoço bem encharcada. Passado uns minutos chega um rapaz, mais um bocadinho chega a Rita e nada de Madalena e de outros dois que faltavam. Uma chuvada nada agradável e eles nada. Lá decidem aparecer e, meu deus, estavam encharcadíssimos. Chuva intensa, problemas com o poncho da chuva de um deles e tudo terminou com o facto de terem ido parar primeiro ao sítio errado. Entretanto, lá almoçámos todos em conjunto. As refeições, ao contrário do que eu pensava eram bastante aceitáveis e sempre um bom momento de convívio. E o que foi o pós almoço? Uma caminhada de 3 horas. Novamente, o grupo dos rápidos, o dos lentos e o guia a aparecer de vez em quando sabe-se lá de onde a dizer “vamos muchachos”. Aproveito isto para dizer que o nosso guia era top. A dada altura começámos a dizer sem parar “We love u Ronaldo” and we love him mesmo. Quanto à caminhada, claramente que não podia não haver nenhum percalço. Primeiro levei uma trolitada de um cavalo. Não só veio contra mim, como me calcou também. Mas claro só isto não bastava. Andámos este tempo todo a usar a inka toilet, ou seja wc ao ar livre. Mas bom, desta vez, para bom entendedor meia palavra basta. Que condições precárias.

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Neste segundo dia, fomos dormir a uns star domes. Condições precárias novamente.  Finalmente íamos poder tomar banho. Sabíamos que ia ser de água fria, mas esperávamos que tivesse pressão. Zero pressão e uma comunidade de bichos a habituar na casa de banho que nem vos digo nem vos conto. Tudo muito lindo de resto, star domes parecem inspiradores, pena  chover dentro de alguns. Íamos dormir 2 a 2 mas chovia na cama da Madalena e acabámos por juntar a minha cama e a da Rita e dormimos as 3 no mesmo sítio. Ahh o caminho para lá chegar também foi muito interessante, às vezes mais valia nem olhar para a estrada mas cantámos todos muito. Tivemos também direito a fazer  café e a provar lá no alojamento.

E assim foi o segundo dia do Salkantay trek.

 

Um beijo,

Káká